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ENTREVISTA | Beatriz de Miranda: “Eu tinha um incômodo como leitora de quadrinhos na adolescência”

  • Foto do escritor: Felipe Pinheiro
    Felipe Pinheiro
  • 8 de nov. de 2021
  • 13 min de leitura

Superando dificuldades, paraense se prepara para lançar a terceira HQ em âmbito nacional


A designer, ilustradora e quadrinista Beatriz de Miranda. Fonte: Arquivo pessoal

Designer, ilustradora e pesquisadora de gênero e super-herói, a quadrinista paraense Beatriz de Miranda diz que sempre leu quadrinhos, mas só começou a considerar uma carreira como quadrinista no final do curso de Design na UEPA (Universidade Estadual do Pará), quando decidiu pesquisar sobre a representação feminina nas artes, entre elas os quadrinhos, como Trabalho de Conclusão de Curso.

Entretanto, logo no começo da carreira de quadrinista, Beatriz foi vítima e teve que enfrentar um trauma: o de sofrer assédio dentro do meio dos quadrinhos. “Eu sofri assédio dentro do cenário e pensei em desistir porque fique muito traumatizada”, declarou. Mesmo assim, Beatriz aceitou o convite da pesquisadora Dani Marino para participar da coletânea Mulheres e Quadrinhos da editora Skrypt. Para o livro, Beatriz fez o quadrinho Overture, onde fala da sua experiência como vítima e sobrevivente de assédio.


O trabalho no Mulheres e Quadrinhos iniciou a parceria da quadrinista paraense com a editora Skrypt que dura até hoje e já rendeu uma segunda obra: Emília 100 Anos, outra coletânea de HQs que Beatriz participou como uma das artistas convidadas a criar histórias com a clássica personagem Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Atualmente, Beatriz se dedica a sua terceira HQ para a Skrypt: uma biografia em quadrinhos do escritor francês Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe.


E foi durante uma pausa na produção de seu novo quadrinho, que Beatriz de Miranda conversou com o Balões de Fala, via videoconferência, para falar sobre sua trajetória, trabalhos e outros assuntos.


BF: Primeiro de tudo, quero perguntar como você está? Como você tem passado esses últimos dois anos de pandemia? Você conseguiu se manter protegida do vírus?


Beatriz: Eu tô indo (risos). Assim, não está sendo fácil porque, vamos falar do aspecto quadrinistico, acabou me afetando psicologicamente. Nos primeiros meses eu tive ataques de pânico, não conseguia trabalhar. E eu percebi que mudou alguma coisa no meu traço, na forma que eu vejo as coisas. Fiquei mais lenta. Muitas coisas mudaram, mas graças a Deus estou protegida. Todo mundo aqui em casa está protegido. Eu consegui pelo menos isso.


BF: Como você começou a se interessar por quadrinhos? E como foi tua trajetória para se tornar uma quadrinista?


Beatriz: Eu sempre li quadrinhos. Era uma leitura comum. Nunca vi como uma coisa infantil. E comecei a me interessar, ver que tinha possibilidade de desenhar e escrever quadrinhos, na universidade perto do meu último ano no curso de Design na UEPA. Eu tinha que fazer um TCC e eu tinha um incômodo como leitora de quadrinhos na adolescência quando comecei a ler super-heróis. Que era a forma como as mulheres eram representadas dentro dos quadrinhos de super-heróis. Foi algo recorrente que lia e me incomodava. Eu não me sentia bem, por exemplo, mostrando para o meu pai um quadrinho. Pensava “mas porque eu não estou me sentindo bem de deixar que meu pai veja esse tipo de quadrinho? Mostrar para minha mãe ou falar com outras mulheres sobre esse quadrinho?”. Fui me tocar que era uma representação que não achava correta. A partir disso, eu disse “Bom, acho que dá para traçar esse estudo no meu TCC”.


Eu comecei a estudar design com feminismo e fazer uma investigação histórica e imagética do que seria a mulher na arte, o começo da representação figurativa da mulher, depois como isso influenciou a pornografia e como a pornografia influencia a representação feminina. Como é Design, a gente precisa apresentar um produto. Nisso, eu fiz meu primeiro quadrinho de 44 páginas que era uma entrevista com mulheres, da região metropolitana de Belém, de como elas viam essas representações da mulher e se elas se enxergavam nessa representação. Grande spoiler: ninguém se identifica.


E um grande divisor de mares foi que, na época, comecei a trabalhar com o pessoal daqui de Belém que faz quadrinhos e descobri as Jornadas Internacionais de Quadrinhos da USP. Resolvi pegar um capítulo do meu TCC e apresentar lá. Percebi que não era só Turma da Mônica que existia no Brasil como quadrinho nacional e que as pessoas realmente estudavam quadrinhos. Eu vi uma possibilidade de virar quadrinista. Só que foi um começo um pouco conturbado. Eu pensei em desistir porque o cenário é um tanto fechado, na minha visão. O cenário daqui é um tanto fechado e as vezes você passa por certas situações como mulher. Não sei como dizer isso. Eu sofri assédio dentro do cenário e pensei em desistir porque fiquei muito traumatizada. Eu dei uma entrevista para a Delirium Nerd e disse que não ia mais falar disso. Mas eu tenho que falar, porque faz parte da história.


Eu acabei sofrendo assédio no meio e, ironicamente, eu falo sobre assédio no TCC. Eu pensei em desistir, mas teve o lançamento do livro Mulheres e Quadrinhos, organizado pela Dani Marino e Laluña Machado. E fiz amizade com a Dani na USP. Ela me chamou e eu estava assim: “Será que vou? Será que ainda sou quadrinista?”. Acabei mandando o quadrinho Overture, que foi extremamente complicado de fazer. É uma autobiografia do que aconteceu comigo no início da carreira de quadrinista. Depois conheci a Carol Pimentel. E hoje estou nessa luta. Acho que foi basicamente isso.


Overture, HQ de Beatriz de Miranda, na coletânea Mulheres e Quadrinhos. Fonte: Arquivo pessoal.

BF: Você acabou de citar a Carol Pimentel, com quem você participou da coletânea Emília 100 anos. Como foi participar de um projeto como esse, de uma editora nacional como a Skrypt? E como foi para você trabalhar com uma personagem tão importante para a cultura brasileira como a Emília? E fale um pouco dessa tua versão da personagem que chama a atenção porque tem o cabelo azul.


Beatriz: Todo mundo fala desse cabelo azul e eu pensei que fosse a coisa mais comum e corriqueira (risos). Comecei a trabalhar com a Skrypt no Mulheres e Quadrinhos e conversava com o pessoal da editora porque eu e a Monique Malcher, que é escritora e fez a Emília comigo, tentamos fazer um lançamento do Mulheres e Quadrinhos aqui em Belém. Durante uma conversa com o pessoal da editora, eles falaram que tinham esse projeto e se eu não queria participar. Eu disse sim na hora.


Depois fui perceber que era um projeto da Carol Pimentel. E fiquei chocada. Porque a Carol Pimentel é só a ex-editora da Marvel no Brasil. Pensava assim: “No que estou me metendo? Mal fiz um quadrinho”. E o que acontece: tu és chamado para fazer o projeto. Fica mais de um mês de questões administrativas, contrato e não sei o que. E para mim estava tudo ok. Estava assinando contrato, lendo o briefing. Então eles falaram: "agora vocês têm que produzir. Vocês têm até 2 de outubro para enviar o concept". Aí começou a complicação, o desespero, a dúvida de “Por que eu aceitei esse projeto?”. Para mim foi muito complicado.


Porque era o meu segundo quadrinho e eu nem conseguia imaginar como foi para as outras moças que estavam no projeto e era o primeiro quadrinho delas. Porque é Monteiro Lobato. E todo mundo sabe que Monteiro Lobato era machista, racista. Toda aquela desgraça. E fica complicado por causa disso. Você não pode e não deve cometer os mesmos erros. Você tem que criar uma história nova. Está lidando com personagens que são muito conhecidos. Fazem parte do imaginário popular do Brasil. E é a Carol Pimentel. Então foi barra. E ainda tinha a Skrypt. Não era um zine. Era para uma editora. Então foi extremamente complicado. Não vou mentir: foi terrível. A parte boa foi que eles deram um prazo de entrega enorme. Prazo que uma editora daria para um projeto de 100 páginas. Acho que foram de 7 a 10 meses que tivemos para entregar 6 páginas.


BF: E como é essa visão da Emília que tu quiseste colocar na tua história?


Beatriz: Também foi complicado porque eu não sabia o que eu ia falar. Então resolvi dá uma estudada na literatura infantil. Eu estava muito travada nessa hora. Então foi partir para o óbvio que era “Qual é a minha visão da Emília?” Eu vi O Sítio do Pica-Pau Amarelo quando era pequena, mas não lembrava mais ou menos o que eu achava. Gostava, mas não tinha muita referência. Já na adolescência que li reinações da Narizinho e tive a impressão de que a Emília era a criatura do Frankenstein. A partir disso, fui reler Frankenstein e ver análise sobre Frankenstein. Comecei a analisar a questão da dualidade do Frankenstein que via a criatura como o lado ruim dele. Que pune ele. E eu cheguei à ideia que falaria sobre a criação de Emília como a criatura do Frankenstein. Só que eu retrataria outras questões familiares. Que seriam a relação do porquê a Narizinho quer uma boneca e que ela coloca as angústias de criança dela na boneca. Qual a relação dela com a Anastácia. E a relação familiar, porque na minha história eu coloco a Anastácia e a Dona Benta como mães adotivas da Narizinho.


Materem Superabat Opus. HQ de Beatriz de Miranda na coletânea Emília 100 Anos. Fonte: Arquivo pessoal.

Seria uma criança que é adotada por senhoras e como ela mora com senhoras ela tem toda uma criação diferente. Ela sabe que é adotada. Então, o que uma criança com essa realidade sofre? Quais são as angústias dela? O que ela passa para a boneca? Fui ler Walter Benjamin, entender o que é uma boneca, um brinquedo para a nossa sociedade de colonização europeia. As questões de gênero do que é dar uma boneca para um bebê que é criado como gênero feminino. Tudo isso. E a Emília, no caso, é quem escreve a história e tem a brincadeira que eu nem sei o título do meu quadrinho que é em latim e que ela coloca como “essa é minha história”. Só que tem todo um porque dela ter sido feita. Ela fica zoando da nossa cara com esse título. Ela começa como se fosse Machado de Assis. Que seria a questão do como eu enxergo a Emília. Ela é sempre espevitada. Ela fala demais. Ela quer ser mais do que ela é. E ela tem todo o direito de ser. Eu acho que é isso.


BF: Como é o teu processo criativo para fazer uma história em quadrinhos? você tem alguma rotina para isso?


Beatriz: Eu tenho. Eu desenvolvi no meu TCC. Uso a metodologia do Munari, que divide o processo de produção de um produto em etapas. E junto do Munari, eu peguei o McCloud de como fazer uma história em quadrinho. Aí desenvolvi um processo. Citando a Emília como exemplo: eles passaram que a gente precisava criar uma história em quadrinhos que teria seis páginas. a Emília precisava ser a personagem principal ou secundária dessa história e o nosso primeiro trabalho seria o concept.


Nisso, crio meu concept e a partir desse concept, que já tenho uma referência, vou criar a história em quadrinhos de seis páginas. Preciso fazer uma investigação primeiro do que seria o assunto. Por exemplo, no meu caso, eu fiz um esquema do que precisava. A minha história gira em torno do conflito familiar. Mas nisso eu preciso pesquisar o que é literatura infantil. porque a Emília e O Sítio do Pica-Pau amarelo vieram da literatura infantil. Quais os livros da literatura infantil que eu acho que posso usar como referência? No meu caso foi Beatrix Potter, Clarice Lispector e a Bruxa Onilda, que são referências minhas. Me dei a liberdade de usar as minhas referências de literatura infantil para fazer esse livro.


Depois que eu busco todo um arcabouço de referências, tanto de imagem, literatura e histórias semelhantes a que vou me propor fazer, vou para o roteiro. Nisso eu escrevo. Depois que escrevo, vou as vezes para o concept e faço tudo bonitinho. Depois que faço o concept, vou para os storyboards. Depois coloco os balões, faço bonitinho a página para ver se estar tudo ok. Depois vou para o rascunho da página e como sou aquarelista, faço a aquarela e como é para uma editora, eu mando as páginas para a editora ver se está tudo ok. Dependendo da situação, eu mesmo faço o balão e coloco o texto no balão. Mas, por exemplo, agora que estou fazendo um outro quadrinho com a Skrypt, só mando a página e eles vão colocar o balão. Vão colocar o texto, porque o texto não é meu. Nisso, eles montam o quadrinho. Tirando meu TCC, eu nunca editei um quadrinho.


BF: Que técnicas você gosta de utilizar nas tuas histórias? O que você gosta nessas técnicas e que tipo de narrativas você busca com elas?


Beatriz: Nunca tinha parado para pensar nisso. Eu gosto de usar o grafite que uso em Overture. Mas hoje eu me vejo mais como aquarelista. E por sinal foi a Carol Pimentel que falou: “Beatriz, você é aquarelista” e eu falei: “É? Então tá bom” (risos). Só que gosto também de nanquim. Mas em quadrinho eu prefiro aquarela por causa da fluidez. Eu posso fazer mancha, posso borrar. É uma técnica que querendo ou não seca rápido.


E acredito que seja muito influência da minha infância. Como te falei, a Beatrix Potter e a Bruxa Onilda foram dois livros que me marcaram muito na infância. Eu queria desenhar como a Beatrix Potter e ela faz aquarela. Então acho que vem daí.


Eu gosto mesmo da técnica analógica porque tenho uma conexão bem melhor para desenhar quadrinho e apagar. Não gosto muito do digital, apesar de trabalhar com o digital. Mas é uma preferência mesmo pelo analógico. Parece que se tem um contato maior com o trabalho


Ilustração de Beatriz de Miranda. Fonte: Arquivo pessoal.

BF: E as tuas inspirações e referências que você utiliza na hora de fazer uma história em quadrinhos?


Beatriz: Hoje eu olho muito para o trabalho do Shiko. Da Ana Luiza Khoeler, que fez Beco do Rosário. Ela é maravilhosa. E da Fefê Torquato. Nos quadrinhos são as minhas maiores referências. Como sou aquarelista, hoje sempre olho para esses três. Mas para a vida é um monte de gente. Não foco só em um. Por exemplo, o (Sergio) Toppi foi o cara que me deu uma linha de como trabalhar o meu estilo no quadrinho hoje. Que é eu não usar quadro. Tento não usar quadro porque as vezes a editora pede para você usar. Mas eu faço uma página tipo splash. E foi em um trabalho dele que comecei a observar mais. Estudar mais. Encontrar meu estilo. E quem me fez mesmo querer seguir quadrinhos foi o Craig (Thompson) do Retalhos e Habib. Enfim, muita gente (risos).


BF: Recentemente, além dos quadrinhos, tu também fizeste ilustrações para o livro No Ar... Um Ás, a biografia do aviador francês Jean Mermoz escrita pela Mônica Cristina Corrêa. Como foi fazer essas ilustrações? Como foi o processo?


Beatriz: Eu estava começando o quadrinho da biografia do Saint-Exupéry, que não sei quando vai lançar, quando eu conheci a Mônica. Estávamos conversando sobre o Saint-Exupéry e eu sempre tinha que conversar sobre questões do roteiro. Eu não posso falar muito por causa de spoilers, mas assim: uma pessoa escreve o roteiro e eu tinha que chegar com a Mônica e falar: “Mônica tem fatos x, y, z da vida do Saint-Exupéry que eu não tenho foto. Tu podes me passar?” E ela me passava porque ela é a grande especialista em Saint-Exupéry no Brasil.


E surgiu o convite para ela escrever a biografia infanto-juvenil do Mermoz. E como já estávamos conversando, ela chegou em mim e falou: “Beatriz, tu queres? Porque eu gosto muito do teu trabalho” e eu disse: “Lógico que eu topo!”. Aí eu comecei. Entrei para fazer esse trabalho do Saint-Exupéry assim como eu entrei para fazer esse trabalho do Mermoz: eu não tinha ideia da vida deles. Foi mesmo por causa da Mônica. Eu já estava trabalhando com ela e ela me chamou.


Ilustração de Beatriz de Miranda para o livro No Ar... Um Ás. Fonte: Arquivo pessoal.

E foi desafiador. Foi uma loucura. Porque nós precisávamos entregar dois capítulos por semana para. Eu editava como se fosse uma pequena apostila. E tinha que fazer uma ilustração dupla, página dupla e editar o texto da Mônica naquela página. Ela mandava para a editora dela que lia e revisava. Tirando as loucuras de toda a semana de fazer dois capítulos, foi muito bom sabe? Eu não sei te dizer por que fiquei muito feliz de fazer esse trabalho com a embaixada francesa que sempre deu muito suporte. Eles gostaram muito do trabalho e era uma época que eu tinha parado de fazer ilustração digital, estava voltando a fazer e deu certo. Tive muito medo de que não desse certo porque já estava na minha vibe aquarelista. Mas foi muito legal.


BF: Comparando as tuas ilustrações para uma HQ e as ilustrações que fizestes para um livro: o que tu dirias que tem de diferente e o que tem de semelhante nessas duas formas de desenhar?


Beatriz: Eu já discuti isso com uma amiga ilustradora e acho que são duas coisas totalmente diferentes, a minha ilustração digital e a minha ilustração de quadrinho. Principalmente por causa da técnica. Quando estou no digital é totalmente diferente da minha ilustração de aquarela. Acho que a única coisa que tem em comum é a pessoa que faz. Não sei se é porque estou começando realmente agora com aquarela e ilustração digital eu já fazia desde a universidade. Então eu já tinha um tempo treinando, testando, estudando, mas eu já não uso coisas que não gosto de usar na ilustração digital, como por exemplo o contorno. Não acho que fique bonito no meu desenho contorno e na aquarela eu uso. E aquarela como o pessoal fala é uma técnica muito difícil de lidar. Eu não sei se eu estou te respondendo certo, mas eu acho que é muito diferente. Eu já me peguei pensando nisso. É totalmente diferente e eu nem sei te dizer por quê.


BF: Você também é uma artista que posta muito dos teus trabalhos no Instagram. O quão importante são as redes sociais no teu trabalho?


Beatriz: Sabe que eu não sei (risos). Porque o que acontece: meus trabalhos eu não consigo hoje, falando sinceramente, via rede social. Se for parar para pensar, eu comecei na Skrypt e já estou no meu terceiro trabalho na Skrypt. E foi a partir desse terceiro trabalho que consegui fazer as ilustrações do Mermoz. Então até agora não teve muita importância nesse sentido. Eu acho que é mais para eu me conectar com outros artistas.


BF: Como você vê o mercado para os quadrinistas do Pará, tanto aqui no estado quanto fora? É possível se sustentar só fazendo quadrinhos?


Beatriz: Nossa que complicado (risos). Eu não conheço muito, sendo bem sincera. Eu não conheço muito cenário do quadrinho no Pará. O pouco que eu conheço é daqui de Belém e Região Metropolitana. Apesar dos meus amigos terem pesquisa na área. Mas eu vejo que é um cenário bastante diverso. Pessoas que fazem quadrinho de super-herói, autobiográfico, com traços de mangá. Falam de assuntos diversos. Eu até recebi um ontem do Rodrigo Leão. Eu acho bastante diverso. Em questão de “dá para se sustentar?”, eu ainda não me sustento. Mas existem pessoas que se sustentam, então eu estou neste caminho. É complicado, não vou te dizer que é muito fácil assim “Conseguir publicar meu quadrinho pela editora tal. Consigo agora pagar minhas contas”. Não. É muito trabalho. Às vezes, tu precisas trabalhar em dois, três projetos para conseguir se manter no mês.


BF: E esse seu novo trabalho para a editora Skrypt sobre o autor de O Pequeno Principe, Saint-Exupéry? Como anda o projeto atualmente e o que podes falar dele para sabermos como vai ser esse quadrinho?


Beatriz: Olha, eu não posso falar muita coisa de como ele está (risos). Mas o que eu posso dizer é que talvez surpreenda bastante. Porque é uma narrativa diferente. Um estilo meu um pouco diferente e talvez um pouco mais próximo do que eu sou. Porque acaba que o Saint-Exupéry é uma HQ que eu falei: “Beatriz, por que você aceitou fazer isso? Você está falando de um dos grandes escritores do século 20”. E está sendo desafiador. Tudo que eu tenho para falar é: esperem, que vão ver uma coisa que pode dar muito certo. Pode dar muito errado, mas eu acho que vai dá muito certo


Página do próximo quadrinho de Beatriz de Miranda. Fonte: Arquivo pessoal.

BF: E além dessa HQ, você já planeja algum outro projeto para o futuro?


Beatriz: Eu já estou trabalhando em outra história, que é a história que eu contei no Mulheres e Quadrinhos, Overture. Só que como o nome da HQ é "introdução" em italiano, aquela é uma introdução do quadrinho que eu estou escrevendo agora. Vai sair em breve. Já estamos em negociações. Agora que estou terminando o Saint-Exupéry, já estou escrevendo esse. Já tem algumas coisas prontas. E em breve vão saber de alguma coisa aí, talvez um título, não sei.

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