ENTREVISTA | Ty Silva (Parte 1): “Eu quero fazer coisas que digam respeito a mim"
- Felipe Pinheiro
- 3 de nov. de 2021
- 13 min de leitura
Quadrinista paraense busca falar nas suas obras sobre as vivências e realidades da mulher nortista.

A artista visual e ilustradora paraense Ty Silva possui uma carreira recente como quadrinista, mas que já rendeu uma série de participações em coletâneas de HQs independentes e no livro Mulheres e Quadrinhos, obra ganhadora de dois prêmios HQMix em 2020, desde que começou sua carreira de quadrinista em 2018.
Formada em moda, mestre em comunicação e semiótica pela Universidade de São Paulo – USP e fã da Mulher-Gato, Ty Silva está inserida no mundo dos quadrinhos desde que era uma criança que gostava de desenhar, assistir a série animada do Batman e ler as HQs da Turma da Mônica e Tio Patinhas. Agora como quadrinista e ilustradora profissional, busca falar em suas histórias, que podem ser tristes, aterrorizantes, alegras, políticas (só não podem ser “tema livre”), sobre representatividade e empoderamento focado nas vivências da mulher amazônica e da população LGBTQIA+.
Ty Silva também gosta de conversar e, por isso, aceitou de bom grado ser entrevistada pelo Balões de Fala. Nessa primeira parte da entrevista, Ty falou sobre trajetória profissional, de como superou a insegurança para se tornar uma quadrinista, a representatividade nas suas histórias e no mundo dos quadrinhos e de como é seu processo criativo para produzir uma HQ.
P: Vamos começar. Primeiro de tudo, poderias me contar um pouco da tua trajetória? Como começastes a se interessar por quadrinhos e por desenho? E como foi esse teu processor para se tornar uma quadrinista e uma ilustradora?
R: Quadrinhos eu sempre gostei desde criança. principalmente porque era uma criança que não gostava muito de ler livros. Eu não tinha muita paciência de ler livros. Era muito hiperativa. Então minha mãe me colocou para ler quadrinhos, porque achou que fosse uma linguagem que eu me identificaria mais. De fato, funcionou porque eu gostava de desenhar desde criança, então achei divertido os quadrinhos. Comecei com Turma da Mônica, quadrinhos do Tio Patinhas, esse tipo de coisa.
Eu também gostava muito de ver TV. Via muita animação, muito desenho, e um dos primeiros que tive acesso, lá por volta dos meus 7 anos, foi a animated series do Batman. Quando comecei a assistir, descobri depois que existiam quadrinhos daquele personagem que eu estava assistindo na animação. Então fui pesquisar uns e outros. Só que eu sou uma criança dos anos 90. Se tu já pesquisaste um pouquinho da história dos quadrinhos, os anos 90 eram bem problemáticos em diversas questões. Então, quando tive esse primeiro contato nos anos 90 não gostei muito da linguagem. Preferir ficar com a Turma da Mônica que achei que era algo mais perto da minha vivência.
Na minha infância também tinha um quadrinho eu adorava, o quadrinho do Combo Rangers. Eles eram tipos os Power Rangers só que eram uns adolescentes. Tinha uma revista que gostava de ler que era a Witch, que tinha quadrinhos também e depois teve animação. Então eu acabei crescendo um pouco mais distante do mainstream. A Witch era escrita por quadrinistas italianos, eu creio. O Combo Rangers eu acho que era brasileiro mesmo. Turma da Mônica era brasileira e Tio Patinhas da Disney. Mas acabei conhecendo essa linguagem e gostando muito.
Em 2012, na época que fazia mestrado em São Paulo, comecei a ter contato de fato com lojas maiores de comicbook. Lá eu consegui achar de fato os encadernados que eu queria, alguns até que eram importados. Porque apesar de começar gostando do Batman, minha personagem favorita é a Mulher-Gato. Eu que queria ler as histórias da Mulher-Gato e não queria ter que comprar a história do Batman para ler cinco páginas da história da Mulher-Gato. Queria o encadernado dela. Então consegui ter acesso a isso, de outros heróis que eu gostava também.

Agora como produção, eu sempre desenhei. Quando fui fazer faculdade, escolhi fazer faculdade de moda porque eu queria fazer algo que pudesse desenhar e achava que fosse me dar bem dentro do curso. No final das contas, o que eu menos faço no meu trabalho é a área de moda. São percursos no caminho. Mas uma das coisas que eu gostava muito no estudo da moda é ter a chance de estudar figurino. E ter a chance de estudar corpo também. Quando tive que escolher meu tema do TCC, pesquisei muitas coisas que me interessassem. Primeiro, queria fazer algo sobre o Tim Burton, um cineasta que eu sempre gostei muito. Nisso de pesquisar o Tim Burton e fechar dentro de uma só concepção, uma só história dele, acabei fazendo o link: “Se eu vou estudar o Tim Burton, por que não estudo o Batman também?” Então quando fui fazer meu TCC fiz um estudo de arquétipo de figurino e corpo de herói e vilão tendo como exemplo o Batman e o Coringa. Peguei um filme do Tim Burton e um filme do Nolan para fazer esse contraponto.
Quando comecei a fazer esse tipo de pesquisa acadêmica, tive que entrar em contato com pessoas que produziam quadrinhos aqui e que fossem do meio acadêmico, porque minhas orientadoras não sabiam como me orientar especificamente nesse caminho. Tem leituras especificas, conhecimentos específicos que elas não tinham contato porque elas eram mais do meio da moda. Com isso fiz grandes amigos conforme ia fazendo as pesquisas. Depois, fazendo a pesquisa de mestrado que também era focada em quadrinho, fui tendo mais contato com essa galera e eles, como criadores, começaram a “me colocar corda” para começar a produzir.
Quando fui para São Paulo foi uma imersão que tive em estudar muito desenho e ilustração. Estudei com a Catarina Gushiken. Estudei na Quanta, que é um dos nichos para galera que quer aprender a desenhar. Principalmente dentro de linguagem narrativa. Eu já estava inserida no meio só que eu tinha medo de desenvolver a narrativa. Desenvolver o quadrinho. Primeiro, porque achava que era uma coisa longa. Segundo, porque ficava insegura de ter que pensar em linguagem narrativa em si. Porque uma coisa é você saber desenhar. Outra coisa é você conseguir contar uma história com imagens. Isso é algo bem complexo. Então ficava muito insegura sobre isso.
Até que em 2018, eu voltei para Belém. Quando voltei, o Volney Nazareno, que foi uma das pessoas que eu conheci nesse processo de academia e quadrinhos, me chamou para participar de um laboratório dele com apoio da Fundação Cultural do Pará para o desenvolvimento do “Simplesmente Eneida”. Ele estava chamando várias pessoas que ou já tinham feito quadrinho com ele ou que eram iniciantes. E o Volney, assim como o Otoniel Oliveira, que foi outro amigo meu que me ajudou muito a dar esse ponta pé, eram sempre do grupo de “queremos trazer mais meninas para fazer quadrinhos”. Eu resolvi ir nesse laboratório e com um grupo de vários artistas, uma galera que já é conhecida aqui dessa área, fomos desenvolver o Simplesmente Eneida. Foi a primeira chance que eu tive de começar a fazer isso.

Depois disso fui chamada pelo Volney para entrar no Açaí Pesado. Que é um coletivo de quadrinhos independentes que já rola aqui a um tempo, para participar da segunda edição sobre Lendas Urbanas. Com isso fui chamada para outros projetos. Fui encontrada pela Dani Marino, que já tinha conhecido no mundo de pesquisa acadêmica na USP, que estava desenvolvendo o Mulheres e Quadrinhos, um livro que continha várias quadrinistas, tanto pesquisadoras quanto da área de desenho mesmo. Foi um grande compilado que ela fez desse tipo de conteúdo e ela me chamou para participar. Depois foi Itaú Cultural, outros volumes do Açaí Pesado, outras edições de outras editoras. Não parei. Acho que todo ano eu devo acabar fazendo uma média de dois ou três quadrinhos. Fora alguns quadrinhos que já fui convidada, mas ainda não consegui fazer por causa do tempo mesmo. Mas desde então eu não parei.
P: Os seus trabalhos abordam temas, principalmente, como a representatividade e o empoderamento. Como é que tu começaste a trabalhar com esses temas e de que forma você tenta abordar nas tuas histórias?
R: A gente sempre tem um processo, principalmente dentro de artes visuais, que é o processo de você conhecer a sua poética. Grande parte de passar por esse processo é você se reconhecer como indivíduo. Saber quem você é. Então, a partir do momento que comecei a me reconhecer como uma mulher inserida dentro desse meio, seja da pesquisa acadêmica, seja dentro da produção de quadrinhos em si, ainda por cima uma mulher nortista, com diversas características e vivências que eu possuo, comecei a sentir muita falta de me ver em diversos espaços.
Na época que eu era criança por exemplo, frequentava muito Animazon. E o Animazon era um espaço onde a galera fazia muito cosplay e toda vez que a gente, até mesmo quando era criança em festa a fantasia, ia escolher personagens para se fantasiar era sempre a crise de “que personagem você vai fazer?”. Então acabava que eu e minha irmã conseguíamos ainda nos reconhecer, digamos, na Pocahontas, na Jasmine, que eram pessoas que tinham um fenótipo mais próximo do nosso. Mas ainda assim era algo bem escasso. Então isso era um incomodo que eu tinha desde criança e conforme fui crescendo, fui percebendo que ele se dava em diversas esferas. Inclusive dentro dessa área de produção de quadrinhos, filmes e animações baseados nesse universo de cultura pop.

Só que também percebia que dentro do meu processo artístico eu não trazia isso. Acabava representando muito o que já via sendo representado. O padrão que a gente fala. O padrão cultural que a gente vê sendo representado. E teve uma vez que fui questionada sobre isso, de porque eu desenhava esses tipos de mulheres, sempre desenhei muito mais mulher, e não pessoas mais parecidas comigo. Ou mais mulheres negras. Foi uma coisa que me fez refletir e comecei a fazer um pouco mais dessa imersão em, realmente, representar mais mulheres como eu. A minha cultura. A vida daqui.
Porque quando você vai morar em outro estado é que você descobre o quanto você é apegado à sua cultura local. E morar em São Paulo foi um grande gatilho para eu perceber o quanto sou apegada à minha cultura e o quanto tenho orgulho da minha cultura. Você pode até não querer se reconhecer como paraense, como nortista ou amazônida, mas as outras pessoas vão reconhecer isso em você a cada momento. A menos que você tenha um fenótipo muito parecido com onde você esteja, a menos que você não tenha nenhum sotaque, que não foi o meu caso porque eu sempre fui de falar “égua” e as gírias daqui. Então eu nunca conseguia passar despercebida, sempre era a pessoa que todo mundo sabia que não era daquele espaço. E isso me fez começar a pensar: “Poxa, se eu tô aqui e estou tendo a chance de produzir conteúdo que outras pessoas vão ler, outras pessoas vão ver, não quero fazer mais do que já está sendo feito”. Porque já tem muita gente fazendo isso para todo esse público. Eu quero fazer coisas que digam respeito a mim, de fato.
Foi aí que, a partir disso, comecei a fazer mais conteúdos que não falassem só de identidade amazônida, ou de questões da mulher, feminismo, pensamentos, mas também questões que falassem, por exemplo, sobre ansiedade ou depressão. Ou sobre reflexões mesmo. Eu gosto muito de conversar com as pessoas, saber da história de vida delas, do que elas passaram e tudo mais. Eu gosto de tentar trazer essas histórias também para dentro das coisas que estou desenvolvendo. Porque para mim é muito legal quando alguém que leu um trabalho meu fale assim: “Égua eu achei isso bacana. Fiquei emocionado. Fiquei com medo” ou algo do tipo. Então eu gosto de provocar essas emoções. E acho que quanto mais você consegue ser representativo, no termo de pensar mais diversos, de pensar mais plural, é melhor para o seu trabalho porque mais pessoas vão olhar e se identificar com ele.
Eu também gosto de produzir várias coisas. Assim como eu gosto de produzir coisas tristes, adoro matar personagem no final, gosto de produzir histórias de terror. Eu gosto de produzir coisas que sejam mais engraçadinhas. Coisas que tenham um teor mais político. É algo que eu tenho trazido muito porque, tem muitos modos de ver essa questão de empoderamento e representatividade, mas ultimamente com todas as coisas de governo que a gente está vivendo, com todas as crises que a gente está passando, vejo cada vez mais a necessidade de falar de modo não necessariamente mais agressivo, mas sim mais direto sobre algumas questões. Porque a gente ainda é muito invisibilizada, seja como mulher, seja como nortista.

P: Atualmente, como tu vês a questão da representatividade no meio dos quadrinhos? O que você acha que teve avanços? E o que você acha que ainda falta avançar?
R: Avançou muito. Lembro que quando teve a primeira Comic-Con (CCXP 2014 em São Paulo), eu cheguei a ir. A gente ainda tinha poucas mulheres dentro daquele espaço. E quando tinha, eram em geral mulheres do Sudeste ou do Sul. Até porque a gente sabe que, para quem mora no Norte e Nordeste, tem toda uma logística muito pior de locomoção. Tudo é mais caro. Se você não tiver um amigo que more lá, você vai ter que pagar hospedagem. E por mais que o lucro que você consiga na CCXP seja bem alto, os seus gastos são igualmente altos. Então não é viável para muita gente estar lá. E acaba continuando sendo um espaço dominado pelo Sul e Sudeste. Foi até bacana quando eles tiveram a iniciativa de fazer a edição no Nordeste, porque facilitou para a galera daqui e do Nordeste se deslocar. Mas eu percebia essa falta de muitas mulheres produzindo. Principalmente mulheres de outras regiões. Na última que eu fui (CCXP 2017), consegui perceber que isso já tinha mudado bastante. Vi que já teve uma grande mudança. É muito bacana você perceber que mais mulheres não estão com medo de produzir. Porque isso é uma coisa que a gente tem muito.
E eu vejo também que isso está se desenvolvendo aqui para o Norte. No Açaí Pesado, quando começou, eu acho que tinha, de menina, a Helô, Mandy Barros, Marina Pantoja e Keoma Calandrini. Aí na segunda edição eu já entrei. Nessa terceira, que lança no mês que vem, a gente se dividiu por equipes, por trios. Tinha trio que era composto só por mulheres. E praticamente todos os trios tinham mulheres envolvidas dentro da produção. Então é muito legal ver que entrou tanta menina assim no grupo. Que tem tanta menina produzindo. Que tem outros coletivos de quadrinistas que tem mulheres. Artistas LGBTQIA+. Artistas que não são brancos. É bacana ver que isso está crescendo aqui e isso está se estendendo para outros locais. Tem muita gente produzindo.
Oque eu acho que falta melhorar, principalmente, é ter mais espaço para essa galera que está produzindo poder mostrar seu trabalho. Hoje em dia, graças à Samela Hidalgo que foi quem pensou o Norte em Quadrinhos, um projeto para unir todos os quadrinistas do Norte do Brasil, a gente pôde se conhecer. Por exemplo, eu não conhecia quem produzia quadrinhos em Manaus. Agora eu tenho um monte de amigas que fazem quadrinhos em Manaus. Que fazem quadrinhos no Acre. No Amapá. E assim vai. Mas a gente ainda percebe, por exemplo, que quando tem que lançar uma publicação a gente depende de Catarse. E o Catarse vai ser muito prático principalmente se você tiver muitos seguidores. O que não é algo muito comum com a maioria dos produtores daqui.
Também não tem tanta divulgação. Não tem tanto espaço cedido. Se a gente é convidado para participar de eventos é sempre uma mesa de quadrinistas do Norte ou, no meu caso que sou mulher, uma mesa de quadrinistas mulheres. É muito legal falar de uma perspectiva como quadrinista do Norte, como quadrinista mulher, mas eu não sei falar só da minha vivência como mulher, como quadrinista, como nortista. Seria interessante se as pessoas começassem a dar espaço para a galera começar a falar dos seus projetos, seus trabalhos, entendendo que eles fazem parte do mesmo universo do quadrinista do Sudeste. E não acontecer como quando vai fazer um painel, por exemplo, de “Quadrinhos lançados em 2021” e vê cinco homens na mesa. Pô, não teve uma menina que lançou quadrinho em 2021? Isso é muito comum da gente vê. Então para mim, a galera que está produzindo, está começando a se movimentar para produzir. Mas ainda falta ceder muito mais espaço, principalmente em eventos grandes. Precisa ainda ter esse espaço. Redes, sites, canais de youtube, essa galera toda tem ainda que ceder mais esse espaço. Chamar para fazer entrevistas, colocar nos jornais.
P: Podes falar como é teu processo criativo? Você tem alguma rotina para produzir o teu quadrinho, a tua lustração?
R: Eu gosto muito que me deem um tema. Para mim, o terror é falar “tema livre”. Quando é tema livre eu quero morrer. Então, quando falam o tema, que nem no Açaí Pesado 2 cujo tema é lendas urbanas, eu fico matutando. Em geral, eu sou uma pessoa que sempre buscou repertório em muitas coisas. Uma das coisas que aprendi muito no mestrado em semiótica é que para você conseguir comunicar bem, você tem que saber um pouco de tudo. É saber dos filmes que tão lançando, das exposições que estão acontecendo, das músicas que a galera está ouvindo. Você pode nem gostar disso, mas é importante você saber o que é isso. Eu sempre tive um repertório relativamente vasto por conta da pesquisa.

Então, quando me dão um tema, acho menos complexo começar a pensar na minha gama de interesses e ver como posso alinhar com isso. Eu sempre tenho o momento de estudar o tema, pesquisar mais referências, ver coisas que gosto. É bem introspectivo mesmo. Ficar pensando comigo mesma até chegar o momento em que penso “Já sei, vou fazer isso”. Aí depende do que vou fazer. Em geral, eu acabo sempre escrevendo as histórias que desenho. Mas esse ano trabalhei muito escrevendo para outros e desenhando para outras.
Quando vou escrever, sempre espero o momento que vai acontecer “a iluminação” e o enredo vai mais ou menos se fazer na minha cabeça. Faço um esqueleto e depois vou desenvolvendo a partir disso criando personagens. Não tenho um esquema certinho disso, mas em geral eu sempre penso no enredo base. Escrevo em um parágrafo pequeno. E depois vou desenvolvendo como quero um personagem, missão do personagem e a história. Se for uma história curta, se for uma história longa. Se for longa é pior, porque você tem que pensar mais detalhes. Se for curta, vou geralmente escrevendo e mexendo até ficar fechadinha.
Se eu for a pessoa que vai desenhar, faço os thumbnails que são os esboços de cada quadro. Quando faço esses esboços, vejo se o texto que desenvolvi vai caber legal nisso. Tem certas coisas, às vezes, feitas no texto que quando vou fazer os esboços penso: “Égua, em vez de fazer isso no texto, vou fazer com imagem”. Aí aquele texto some e vira uma série de quadros. Então fica o tempo inteiro em movimento, até que chegar o momento em que, finalmente, vou finalizar.
Quando vou finalizar, já faço outras alterações até ficar bem redondinho para mim. Às vezes pensar em outro tipo de quadro, outro tipo de enquadramento. Ou pegar uma referência nova. Para mim, o meu processo só “acaba quando termina” mesmo. Como faço meus trabalhos sozinha, tenho esse privilégio de poder modificar o tempo todo meu projeto. Até que tem uma hora que ele fecha e vou começar a pintar ele.
Quando começo a pintar realmente não vou mais alterar o line art. Se vou fazer com outras pessoas, ou eu espero o roteiro e no máximo posso fazer alguns ajustes para encaixar. Faço o processo de desenho, mas sigo de fato o roteiro. E se vou escrever a história, eu gosto muito que as pessoas que vão desenhar também tenham a visão da história que eu criei. Eu posso até dar algumas diretrizes. Como vão ser as características físicas de alguns personagens ou algumas características de cenário. Mas eu quero que o desenhista também coloque a interpretação dele sobre aquilo também. Geralmente eu faço assim.
Clique aqui para ler a segunda parte da entrevista.





Comentários