Resenha | Cesto de Cabeça, de Joe Hill e Leomacs
- Felipe Pinheiro
- 22 de nov. de 2021
- 2 min de leitura
Para o bem e para o mal, um clássico conto slasher dos anos 80.

Joe Hill definitivamente superou o rótulo de “filho do Stephen King”. O sucesso de público e crítica de obras como Locke and Key e N0S4A2 colocaram o autor americano entre os escritores de terror mais conhecidos da atualidade. Foi com essa bagagem e expectativa, para além da ascendência famosa, que Hill chegou na DC Comics em 2019 para criar a Hill House, selo de quadrinhos de horror dentro da editora e chefiado pelo próprio Joe Hill.
O primeiro fruto da parceria Hill/DC Comics é Basketful of Heads, minissérie em 7 edições escrita por Joe Hill e desenhada por Leomacs, publicada no Brasil esse ano pela editora Panini com o título Cesto de Cabeças.
Ambientada no final do verão de 1983, Cesto de Cabeças apresenta June Branch, jovem estudante de psicologia que viaja para Brody Island, Maine, para passar os últimos dias do verão com o namorado Liam, que trabalha como policial temporário para o Xerife da cidade. Mas o que devia ser uma visita tranquila, se transforma em um pesadelo.
Durante um temporal que assola a cidade, June terá que enfrentar 4 perigosos criminosos que fugiram da custódia da polícia para salvar tanto a própria vida quanto a de Liam. Armada apenas com um antigo machado viking, June descobre ao decapitar um dos criminosos que, mesmo separada do corpo, a cabeça continua viva e (bem) falante.

Sem pressa, Joe Hill leva o tempo que precisa, notadamente na primeira edição, para apresentar os personagens, os cenários e os eventos que tomarão parte ao longo da trama. Uma vez estabelecida as bases, Joe Hill e Leomacs fazem de Cesto de Cabeças uma jornada sangrenta onde June, sempre acompanhada do machado e de um número cada vez maior de cabeças falantes em um cesto, irá lutar para sobreviver e desvendar os segredos por trás da fuga dos criminosos.
Uma jornada costurada ao longo das edições por uma série de cliffhangers e viradas na trama, algumas inesperadas, outras previsíveis, que trazem para a HQ um tom muito mais de mistério/suspense do que de terror propriamente dito. Apesar do aspecto sobrenatural e do potencial para uma abordagem mais psicológica, as cabeças não têm uma função maior do que o de oferecer, para June e os leitores, algumas respostas e explicações do que está acontecendo.
Se o terror não se faz muito presente, Joe Hill coloca na HQ muito das típicas histórias de horror slasher dos anos 80. Leomacs capricha nas expressões dos personagens, na sanguinolência e corpos dilacerados durante as sequências em que June usa o machado, sempre dinâmicas, além de brincar com a perspectiva ao mostrar em certos momentos o “ponto de vista” de uma cabeça separada do corpo.

É no mistério, nas influências do slasher dos anos 80, tanto na sanguinolência das mortes quanto em certos clichês e conveniências do roteiro, e no ritmo e estilo característico de Hill que Basketful of Heads se sustenta. Mesmo que não seja a melhor porta de entrada para as obras de Joe Hill, ainda é uma história intrigante capaz de agradar os já iniciados no horror do “filho do Stephen King”.
Ficha Técnica
Título Original: Basketful of Heads
Roteiros: Joe Hill
Arte: Leomacs
Cores: Dave Stewart
Tradução: Érico Assis
Editora: Panini
Nº de páginas: 184





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